sábado, 28 de novembro de 2015

Dos exames que agora há e agora já não há

Nos últimos anos tenho visto alunos de 4º, 6º e 9º ano estudarem para exames. A minha opinião é que estes exames, honestamente, não servem para nada. Não sou contra a existência de exames, bem pelo contrário, acho que há motivos positivos para os alunos se habituarem desde cedo a exames, mas estes não serviam para nada. 
Os alunos para irem a exame precisavam de obter mais de 3. O facto é que todos os que conheci - e já foram muitos alunos - foram todos a exames porque (milagrosamente) no 3º período todos tinham 3 nas disciplinas, no exame tinham 2 mas não fazia mal que o exame só vale 30%. Ou seja, o erro não está no exame, o erro está nos professores que "dão" notas (juro que o fazem, ou fazem um último teste fácil com perguntas trabalhadas na aula no dia antes, ou pedem um trabalho para compensar a negativa e se desculpam com o facto do/a menino/a se portar bem e fazer os trabalhos de casa) e no facto de os exames acabarem por funcionar como mera estatística. 
Acho que os erros no ensino português estão no se passar um menino de 1º ano, mesmo que não saiba ler nada nem fazer uma conta, porque é prejudicial chumbar. Passar o menino no 4º ano apesar de não ter bases algumas nem maturidade para um 5º ano. Passar um aluno porque os pais fazem parte da associação de pais da escola e estão sempre a ir falar com os professores, então dá-se positiva ao menino. Os professores darem notas de graça para se fazer um exame. Isto tudo é que é um erro.
É também um erro abolir-se totalmente os exames, devia era de existir uma estruturação diferente, uma prova de final de ciclo que avaliasse corretamente o aluno e que ao longo dos anos o aluno fosse tendo as notas que merece na realidade.
Uns falam de facilitismo. Outros dizem que é prejudicial os exames.
Eu acho apenas estúpido. Achava estúpido a carga ridícula dada a estes exames que para nada serviam, e acho estúpido os alunos passarem de ano só porque sim sem merecer.
Deviam de pensar mais em criar um sistema de avaliação justo e sem "merecimentos"! Mas isto sou eu e a minha opinião vale o que vale.

3 comentários:

A.C. disse...

Como eu concordo contigo! Estou no 11º e posso-te dizer que começa a ser crítico chegar ao secundário estando num curso de ciências e tecnologias e existirem alunos que não sabem quanto é x mais x ou x vezes x, ou não saberem as diferenças entre células procarióticas e eucarióticas! É uma vergonha, alunos sem bases não conseguem fazer anos mais complexos. Infelizmente, nem todos pensam assim e o sistema de educação de portugal tem como objetivos subcarregar a carga horário dos alunos, ensinar frações ao 4ºano, colocar 1001 exames que não servem para nada excepto os do secundário pois contam para a entrada na universidade e é isto! É fazerem mais avaliações e ensinarem matéria cada vez mais complexa a miúdos cada vez mais novos, não sei o que aconteceu à qualidade. Só querem engenheiros e médicos mas esquecem-se que para isso os alunos têm de apreender tudo corretamente.

Lea disse...

Ai como me revejo nas tuas palavras!
Como professora num ATL lido todos os dias com crianças que têm vindo a passar de ano só porque sim. E é tão triste ver essas crianças a não conseguirem acompanhar os colegas e a terem resultados negativos constantemente...
E aqueles que estão no 3º ano sem saber ler?? Ou seja, eles lêem...mas não interpretam!!

Exames sim, mas há muito trabalho a fazer antes disso!

-thesecretwriter disse...

Concordo plenamente contigo! O problema não está nos exames, está nos professores que "fecham os olhos" no fina do ano e não preparam correctamente os alunos ao longo do ano. Se chumbar, chumbou. Mais vale perder um ano e aprender com o erro, do que andar uma vida inteira de estudante a passear os livros e fingir que sabe.